Charlles Nunes
Por um Brasil bilíngue.
Textos
Prefácio - O Portal ao Qual Chamamos Morte
The Gateway We Call Death, by Russell M. Nelson.*

Quer ser avisado sobre as novas traduções?
Clique aqui e cadastre seu WhatsApp

 

DE 1944, QUANDO COMECEI NA ESCOLA DE MEDICINA, até 1984, quando fui chamado para servir como uma das "testemunhas especiais do nome de Cristo em todo o mundo" (D&C 107:23), a maior parte da minha atenção profissional foi direcionada à aquisição de conhecimento e sua aplicação no alívio da doença.

Meu treinamento especializado como cirurgião cardiovascular e torácico me colocou em contato quase diariamente com pacientes em estado grave que enfrentavam a perspectiva real de morte.

Por necessidade, eu via a morte como um inimigo formidável a ser combatido. Na verdade, para todos os médicos conscientes, o portal de partida da vida também é um potencial portal de derrota.

Realisticamente falando, cada paciente de cada médico irá, se for acompanhado por tempo suficiente, falecer. E quando a morte ocorre, um senso de tristeza parece naturalmente prevalecer, a despeito da idade do falecido.

Tendo servido como cirurgião em muitos estados dos Estados Unidos e em muitos países ao redor do mundo, encontrei uma ampla gama de reações dentre as famílias que perdiam um ente querido. Para algumas, a dor parecia ser quase insuportável. Para outras, sua perda parecia ser suavizada pelo amor, com suas mágoas amenizadas pela fé em seu Pai Celestial. Elas pareciam estar espiritualmente fortalecidas pelo conhecimento quase tangível -- um conhecimento da continuidade da vida após a morte.

Tal foi o caso de um homem que me recordo bem. Conversei com ele na véspera de sua cirurgia. Enquanto eu explicava mais uma vez o alto risco tanto do procedimento cirúrgico quanto de sua alternativa, ele calmamente afirmou: "Minha vida está pronta para inspeção." Felizmente ele sobreviveu à operação e ainda viveu muitos anos. Inúmeras pessoas encontraram a felicidade imitando seu exemplo de grande fé.

Talvez mais difícil do que encarar pessoalmente o portal da morte seja lidar com o sofrimento causado pela perda de um ente querido. 

Visitei dois irmãos ilustres - ex-colegas meus de cirurgia - cujos amáveis companheiras haviam falecido. Eles me disseram que estavam passando pelo período mais difícil de suas vidas, ajustando-se à perda quase insuportável de suas parceiras. Esses homens maravilhosos me contaram que estavam preparando o café da manhã um para o outro uma vez por semana - em rodízio com sua irmã - buscando diminuir a dor da solidão imposta pela partida de suas queridas esposas.

Nos meus anos de serviço como servo do Senhor, tenho tentado pensar mais como ele. Tenho tentado conhecer mais os seus ensinamentos e fazer mais daquilo que ele gostaria que eu fizesse. Com o olhar fixo em sua glória, concentrei-me em sua notável declaração:

"Pois eis que esta é a minha obra e minha glória - trazer a efeito a imortalidade e vida eterna ao homem." (Moisés 1:39.)

Com esse foco, tenho direcionado mais meu pensamento às questões da eternidade. Uma palavra incomum descreve esse ponto de vista - escatologia.

Agora eu vejo a morte como um portal para a imortalidade e vida eterna. E quanto mais compreendo sobre a vida em todas as suas fases, não sinto mais que a morte é um inimigo a ser temido. Pelo contrário, eu a vejo como uma amiga em potencial a ser entendida. Até certo ponto, eu entendo o que o profeta Jacó quis dizer ao afirmar, "A morte tem efeito sobre todos os homens, para que seja cumprido o plano misericordioso do grande Criador." 2 Néfi 9:6.) : 

A morte é uma companheira de viagem, com a qual cada um de nós caminhará um dia. Apenas a hora e o lugar desse encontro não são conhecidos.

Lidar com a perda causada pelo falecimento de um ente querido se torna mais tolerável por causa do Senhor, que proveu dons sublimes de conforto e paz. Ele ofereceu "o Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará" em seu nome. "Esse vos ensinará todas as coisas," disse o Senhor, "e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito."

Então o mestre acrescentou: "Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize." (João 14:26-27.)

Conforto e paz! Que dons divinos e preciosos!

A promessa de visitação do Espírito Santo - o divino Confortador - é reconfortante para quem sente pesar. Provê a esperança e o perfeito amor. Quando nutridos pela oração, a esperança e o amor irão perdurar até o fim, quando todos os santos habitarão com Deus.' (Moroni 8:26.)

Esses dons estendem-se a todos os que verdadeiramente creem nele, e são concedidos devido a seu infinito amor por nós. Sua paz vem à medida que compreendemos sua graça e agimos de acordo com sua vontade. Vem da fé fundada em sua expiação infinita. Para encontrar essa esperança, essa garantia, e a habilidade de seguir em frente, a pessoa enlutada buscará conhecer o Senhor e servi-lo. É a expiação dele que tornará nosso futuro brilhante, a despeito dos dias escuros que inevitavelmente encontraremos na jornada da vida. A poetisa declarou: 

 
Morreu na cruz em solidão
E o mundo pôde ver
Que ao ressurgir podemos ter
A eterna exaltação.

Quando nossa missão na mortalidade terminar - quando passarmos pelo portal que leva à imortalidade e vida eterna - o guardião do portão estará lá. 

"O guardião da porta é o Santo de Israel; e ele ali não usa servo algum, e não há qualquer outra passagem a não ser pela porta; porque ele não pode ser enganado, pois Senhor Deus é o seu nome." (2 Néfi 9:41.)

Seu evangelho nos ajudará a nos prepararmos para aquele grande dia de julgamento. Seus dons aliviarão a dor dos enlutados e trarão alegria a quem o ama. Ele os ajudará a cumprir seus propósitos mais nobre na vida.

Minha motivação principal para escrever esse livro encontra-se no meu amor pelo Senhor e por meus irmãos e irmãs. 

Eu os serviria trazendo o conforto, a paz e as bençãos Dele a todos os filhos de Deus em todas as partes. Esse livro foi escrito na esperança que seus leitores venham a conhecer o devido papel da morte como um grande portal no caminho maravilhoso de Deus para seus filhos. A morte é um elemento essencial em seu divinamente projetado plano de salvação.

Eu espero sinceramente que a fé, o conhecimento, a esperança e a gratidão brotem das páginas desse livro.

 

NOTAS:

1. Definição de escatologia: que se ocupa das coisas finais, como morte, julgamento e céu. A palavra deriva de dois termos gregos, eschatos, que significa "último," e ology , que significa "estudo de."

2. Vilate Raile, "Em Uma Cruz Jesus Morreu," Hinos, n. 109.

 

Continuar lendo...
 
Charlles Nunes
Enviado por Charlles Nunes em 23/06/2020
Alterado em 23/06/2020
Comentários
Site do Escritor criado por Recanto das Letras